Eu, Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito, Autista...

AUTISMO

Gerivaldo Neiva, Juiz de Direito

6/5/2025

Na infância, eu me achava inadequado para os padrões sociais quando era tratado como sonso, esquisito, calado, tímido, CDF e outros rótulos mais. Depois, me acostumei e entendi que eu era assim mesmo.

Então, de forma autodidata aprendi a ler muito cedo, quase sempre fui o melhor aluno da sala e tinha as melhores notas, apesar de nunca falar nada durante as aulas e participar apenas com os olhos, como dizia uma professora minha. Tinha sempre um ou dois amigos e nunca fui bom em nenhum esporte. Devorava livros, revistas e, na falta, lia as bulas dos remédios.

Ingressei nas faculdades de Direito (UCSAL) e Ciências Sociais (UFBA) aos 17 anos e me tornei advogado aos 21 anos. Aos 26 anos resolvi prestar concurso para Juiz de Direito e aos 27 anos fui nomeado para a Comarca de Urandi, sudoeste da Bahia.

Descobri bem cedo que tinha muita facilidade em aprender conteúdos novos e adquirir conhecimentos de assuntos variados e explorei diversos até esgotarem as fontes disponíveis, a depender do meu interesse.

Não vejo vantagem nenhuma nessas condições. Ao contrário, gera angústia, ansiedade, autocobrança, sobrecarga e muitas expectativas para as pessoas de sua convivência.

Há alguns anos, por incentivo de minha esposa (@mariafernandasampaiopp) , procurei ajuda de uma terapeuta (@nadiabossa) para me conhecer melhor e ela, depois de inúmeras sessões, testes, escalas, investigações, chegou ao diagnóstico: Transtorno do Espectro Autista, nível 1 de suporte (antes nominado como autismo leve) associado à Altas Habilidades/Superdotação. (AH/ SD e TEA 1).

Continuei vivendo normalmente, mas os problemas continuaram. Agora compreendendo e me conhecendo melhor. Incentivado por minha terapeuta, resolvi que daria um passo adiante no processo terapêutico e assumir publicamente essa condição. Por mim, pelas crianças autistas, pelos jovens e adultos autistas, pelas mães e pais de todos eles e, principalmente, por aqueles que ainda temem um diagnóstico de autista.

Essa semana, visitei a sede da Associação Família Azul, (@familiaazuldecoite) aqui em Conceição do Coité, e simbolicamente, recebi da presidente da Associação (@rosaiara.carneiro) meu cordão de autista.